SÓ O AMOR PERMANECE

Para viver, crescer e sonhar

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Location: Lousã, Portugal

Ana Paula Reis (Selecção de textos) e Maria Laranjeira (Fotografia)

Thursday, October 19, 2006

A PAIXÃO DE CRISTO


Caros amigos!!Aqui vai a opinião de Laurinda Alves sobre o filme a Paixão de Cristo (excerto do texto que publicou na revista XIS de 20/3/2004):"Acompanhada de um grupo alargado de amigos, uns mais crentes que outros e cada qual com a sua sensibilidade particular a esta realidade bíblica da Paixão de Cristo, assisti a um filme que fez a diferença no meu percurso de vida. E explico porquê.Primeiro porque é um filme de uma beleza incrível. Pela luz e pelas sombras, pelo céu imenso, pela côr púrpura do entardecer, pela lua muito cheia e sempre muito rente ao horizonte, pelo movimento das nuvens no céu e das pessoas na terra, pelo vento que sopra nos montes, pelos pensamentos que se lêem e pelos que se adivinham, pelas palavras ditas e pelas que ficam por dizer, por todos e cada um dos personagens centrais ou laterais mas, acima de tudo, pelo olhar de Cristo.Mais do que o olhar de um actor de cinema que interpreta magistralmente o seu papel, aquele olhar marca porque não existe outro igual no mundo. E esse é, porventura, o maior prodígio do realizador e da imensa equipa técnica que o acompanhou: saber iluminar e filmar um olhar divino.O verdadeiro olhar que salva, que nos resgata e dá sentido àquilo que não tem sentido nenhum.Apesar do sofrimento físico, de todas as dores morais e angústias espirituais, aquele olhar permanece luminoso, infinitamente doce e misericordioso. O olhar clemente e compassivo com que todos gostaríamos de ser olhados um dia. Passe o tempo que passar, sei que aquele olhar terno e puro me vai acompanhar para sempre e que vou voltar a ele para me lembrar que nunca estou só nem ficarei desamparada.E é porque, embora parcialmente desfigurado, o olhar de Cristo permanece inteiro, lindo, limpo e profundamente unido ao essencial que o filme é suportável naquilo que tem de mais chocante. Quando o sangue é demasiado ou as vergastadas intoleráveis, existe o olhar de Cristo que sofre, aceita, perdoa e nos conduz a Ele.O único olhar comparável ao de Cristo é o de Maria que chora em silêncio e acompanha o filho nas aflições da condenação, flagelação, coroação de espinhos e crucificação. Maria assiste a todo este calvário com um amor desmedido e a sua presença é inabalável, comovente e consoladora. E, também ela, redentora na medida em que nos ajuda a olhar e a ver aquilo que, sem ela, seria impossível testemunhar.Muitos declaram-se chocados com o excesso de violência mas eu confesso que não vi nada naquele filme que me chocasse mais do que muitas outras coisas que vejo na vida real e noutros filmes. Seja no cinema ou em casa, em directo, todos vemos muito para além daquilo que é suportável ver. Todos sabemos que o sofrimento existe com contornos desproporcionados e extraordinariamente perversos. Podemos alimentar a polémica sobre o grau de violência d'A Paixão de Cristo mas não é nem mais nem menos gritante do que aquilo a que assistimos frequentemente.A grande diferença, para mim, é o sentimento redentor daquele sofrimento. É saber que foi real, excessivo e durou aquele tempo todo mas não foi em vão. O que se revela chocante, até mesmo para os que crêem, é assistir a este sofrimento numa espécie de tempo real e testemunhar que foi assim que tudo aconteceu."

Laurinda Alves

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